Medo

O medo é um combustível barato, distribui-se em doses maciças nos noticiários e debates na TV, absorve-se sem filtro, e transborda de manhã nos debates na rádio e a toda a hora nos comentários online.
É um investimento com retorno garantido.
Flui dentro das empresas, cola-se à pele e entra nas veias, e acaba por sobrar para a intimidade das casas, por encharcar as nossas vidas e nos tolher os movimentos, fétido nos seus efeitos mas aparentemente inodoro por se esconder debaixo dos tapetes.
Triste, muito triste o país que se move a medo.
Haja uma chama capaz de o acender, afinal é um combustível

o vómito

Quando os filhos da puta são possuidores de uma capacidade argumentativa enraizada em informação e cultura em quantidade q.b., tornam-se regra geral uns pivetes arrogantes e apressam-se a fazer emergir as suas opiniões no sentido contrário àquele que as notícias tendem a indicar, cai-lhes bem no seu meio. Exercício que para gente de bem pode até ser saudável, mas na boca deles é um nojo garantido.

Gente cabeluda, com ar de quem não toma banho todos os dias e que compra a roupa na feira, deve para eles ser objecto de medidas higiénicas, não vá o seu mundo ser conspurcado pelo mau gosto. O mérito do que esse povo a cheirar a cavalo possa estar a fezer pouco importa, não existe porque se passa num mundo onde os iluminados nada têm a argumentar, e se sentem amedrontados com a eventual proximidade.

Não estou aqui a esgrimir argumentos entre os ocupantes e a Câmara, sobre isso haveria muito a dizer. Apenas a constatar a miséria humana das elites sábias no seu sarcasmo de merda.

Alemanha? Sim, também tomou algumas medidas higiénicas, se não estou em erro.